Encontrei numa caixa velha, no meio de muita quinquilharia, meu caderno de poesias.
Bateu uma vontade de reler aquelas linhas escritas no auge da minha adolescência, lá pelos meus quatorze anos.
Quanta paixão, quanta dor, quantas palavras de amor.
Foi um encontro comigo mesma, cheguei até a sentir aquelas emoções vividas por uma garota tímida e sensível.
Incentivada pelo meu marido resolvi criar um blog e aqui estou... Espero que gostem.
Benvenuto, sejam todos bem vindos!
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Um apelo ao mundo adulto

(À Ana Carolina,minha sobrinha. )

O sol ou a lua.
Uma criança esperta.
Ana Carolina é uma menina.

De dia bagunça, canta, chora.
De noite ela dorme e sonha.

Um dia será uma mulher,
bonita e cheia de meiguice.
Uma mulher menina.

De dia ela briga,fala ,come.
De noite repousa e sonha.

É um anjinho cor-de-rosa.
De dia ela corre, anda, pula.
De noite ela descansa e sonha.

Sonha com seus bichinhos,
sonha com seus brinquedos.
Sonha com seu mundo,pequeno ainda.
Feito de pessoas,festas, presentes.
Ela é uma criança,pequena.
Sem ódios,sem medos.
Uma alma pura, sem poluição, sem tabus.
Um corpo rechonchudo,sem estáticas, sem contornos.
Ela possui dois olhinhos que só vêem coisas belas,
que não vêem a pobreza nem a riqueza.
Sem discriminações, sem restrições de cor ou sexo.
Não sabe o que é bom.
Mal sabe o que é errado.

Mas sabe brincar,cantar,correr.
Sabe pular amarelinha.
Sabe sonhar e ser boa.
Sabe amar e fazer micagens.
Suas mãos pequeninas só conhecem o carinho.

Ana Carolina é linda.
É flor de primavera,é cheiro bom.
É olhar sereno,é uma cantiga de ninar.
É um acalento.
É um verão bem quente.
É o amor puro.
É o sol e a longa estrada.
É um aperto de mão,é um abraço de amigo.
É um sorriso.
É uma nuvem passageira,é um raio de luz.
É um pingo de chuva que beija as flores.
É um grão de areia,é uma semente de amor.
Ela não pode deixar de ser assim.

Mundo adulto, não a transforme!
Não deixem que a vida a perturbe.
Não permitam que ela se decepcione.
Nem que o sorriso dela se apague.
Que suas mãos se fechem, que seus braços se cruzem solidamente.
Que os seus sonhos virem pesadelos .
Que os brinquedos percam a magia.
Que seu coração esqueça a ânsia de amar.
Que sua alma perca o sabor de ser a bela e terna criança que é ANA CAROLINA.

Pres. Prudente,9/9/1981.
De sua tia como prova de um amor eterno.

Nossa vida


Você me encontra,eu te encontro,nos encontramos muito tempo atrás.
Você me induz,me conduz,me seduz.
Eu me atraio,deixo-me ser conduzida.
Nos atraimos desde o primeiro instante.
No nosso primeiro olhar,num sorriso recíproco.

Você me procura,me fala , me iludi.
Eu ouço bem e sonho.
Dá-se início a nossa fantasia.
Sonhamos, festejamos, sorrimos e a nossa vida continua.
Você me jura amor eterno.
Eu te juro amor perpétuo.
Realizamos um ritual de casamento.
Apenas uma brincadeira séria,nossa.
Nos fizemos felizes nessa vida.
Um amor puro,adolescente e jovial.

Aí você me destrói as ilusões,as fantasias.
Meu ego é ofendido,meus sonhos desfeitos.
Eu te culpo,você se desculpa.
Eu te perdôo e te beijo.

Depois os pesadelos começam a surgir.
A relação se extermina.
Eu me fecho,você se expõe.
Mas vivemos apesar disso tudo.
Felizes ainda?

Então a felicidade não é eterna.
Eu amadureço,você não me entende.
Eu cobro,quero troco.
Você não me atende.
Você me surpreende,muito...

Eu me canso.
Meus nervos à flor da pele.
Meu coração em pedaços.
Meu orgulho ferido.
Não sonho mais...
Os sonhos agora me parecem coisas fúteis
Neste momeento o amor adoeceu e
quase não tive coragem de sacrificá-lo.

Matei o amor que definhava.
Fechei o pedaço da ferida que permanecia entre nós.
Esperei pra dar meu último suspiro e
cerrar meus olhos cheios de lágrimas.




segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Só um grande vazio

Grande peito amargurado.
Grande peito asfixiado.
Pobre leito adormecido.
Pobre ser desconhecido.
Pobre de quem a luz não ilumina.
Só um coração, sozinho.
Só alguém chorando.
Grande pranto derramado.
Grande céu desfigurado.
E as formigas pálidas junto dos pássaros azuis.
Só quem me segue pode saber de minha sombra.
Pobre ancestral,pobre ser incrédulo.
Pobre pópulus, de tão pobre meu cão.
Gatos e galinhas no quintal.
Pobre de mim, solidão.
(12/04/1980)

domingo, 7 de novembro de 2010

Um dia

Quando eu te perder não quero chorar,nem pensar em tudo.
Só quero te querer.
Só quero sorrir das lembranças,sejam essas boas ou más.
Seja algo de alguém que nos fica, ou algo de nós que alguém leva.
(1979)

sábado, 6 de novembro de 2010

Você...sempre você

Você ...sempre você
abril de 1979

Você é o sol, a lua, você é você,você sou eu.
Você apareceu na minha vida como quem não quer nada,mas deixou tudo que até então eu havia procurado no mundo.
Você...só você.
Só você podia me dar tanto amor,tanta segurança,tanta felicidade,a certeza de que o mundo era meu.Só você.
Só você podia ser tão legal,tão louco e beijar tão bem.
Mas você...Você de tão especial tinha um ponto em comum com o resto da humanidade.
Você também foi embora um dia.
Mas só você,sempre você continuará vivo em mim, pois só você eu realmente amei.